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Professor que encontrou menino autista desaparecido também tem autismo; “hiperfoco ajudou”

Vitor Guerras
28 / 03 / 2025 às 01 : 21
O professor Marco encontrou o menino autista durante a busca na plantação de milho. - Foto: Arquivo pessoal
O professor Marco encontrou o menino autista durante a busca na plantação de milho. - Foto: Arquivo pessoal

O professor Marco Antônio de Oliveira, voluntário na busca por um menino autista, encontrou o garotinho de 4 anos que estava desaparecido em Jataí, Goiás.

No último domingo, Marco, que é professor de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Jataí, recebeu uma ligação informando sobre o desaparecimento do Miguel. O garotinho sumiu dentro de uma plantação de milho e ficou oito horas desaparecido.

O docente, que também é autista, disse que não pensou duas vezes: pegou os equipamentos e se juntou às equipes de resgate. Questionado se a condição influenciou ou atrapalhou, respondeu: “Pelo contrário, tenho hiperfoco, então só ajudou. No máximo, um pouco de irritabilidade”, disse em entrevista ao Mais Goiás.

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Mobilização da população

Miguel sumiu por volta das 18h do último domingo, na região do Setor Cidade Jardim II.

A preocupação era grande, pois o pequeno está no espectro autista e tem dificuldades para responder chamados.

Bombeiros,policiais e dezenas de voluntários se uniram para vasculhar a área.

A chuva intensa que começou a cair tornou a missão ainda mais difícil.

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Momento do resgate

Por volta das 2h30 da madrugada, Marco seguiu uma intuição e decidiu ir na direção contrária ao fluxo das buscas.

Foi então que ouviu uma voz baixinha chamando “papai”. No início achou que fosse um engano, pois a informação inicial era de que Miguel não falava.

Mas ao desligar a lanterna e se concentrar no barulho, seguiu o som e encontrou o garotinho encolhido no meio da plantação!

“Eu disse para ele: ‘Meu filho, vou te levar para o seu papai. Fica quietinho que vou te buscar.”

Com calma, Marco se aproximou, deu a jaqueta que estava usando para a criança e chamou reforço no rádio.

Hiperfoco ajudou

Diagnosticado com autismo aos 36 anos, o professor contou que a condição nunca foi um obstáculo, mas sim uma ferramenta.

O hiperfoco é caracterizado por uma concentração intensa em certas atividades. Segundo Marco, o estado de concentração ajudou na busca.

O professor também garantiu que foi abençoado.

“Deus me guiou”, finalizou.

Após avaliação médica, o garotinho foi liberado sem ferimentos. - Foto: TV Anhanguera
Após avaliação médica, o garotinho foi liberado sem ferimentos. – Foto: TV Anhanguera
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