Sensível, espirituoso e afável, o ator Miguel Falabella, de 66 anos, deu uma lição de gentileza e humanidade em Portugal. Em Lisboa, para uma série de apresentações da peça “A Mentira”, ele foi surpreendido por uma senhorinha portuguesa que pediu que o ator recitasse um poema da infância dela.
Sentado, junto com parte do elenco, Falabella não pensou duas vezes. Buscou o poema, na Internet, e achou “Balada da Neve”, de Augusto Gil, recitando em seguida para a senhora sentada ao lado dele. A emoção e a ternura o ator com a senhoria conquistaram a internet. Mais de 5 mil curtidas! E ele fez questão de agradecer o carinho no perfil pessoal do Instagram.
No elenco da peça em Portugal, a atriz Danielle Winitz disse que: “Hoje foi o melhor dia”. Mateus Solano acrescentou: “Coisa mais linda”. E teve mais: depois que o vídeo viralizou, Falabella se reencontrou com a senhora e de novo eles se emocionaram. Assista aos dois vídeos abaixo.
Poema
Com a voz grave que o caracteriza, o ator interpretou o poema que narra as reflexões de um pensador enquanto vê a neve caindo e a vida seguindo.
A Sra. Idalina, de 94 anos, da terra do poeta, no norte de Portugal, a Cidade da Guarda, a 318 km de Lisboa, não se conteve. Abraçou Falabella e pareceu ter voltado ao tempo.
“A neve caía do azul cinzento do céu, branca e leve, branca e fria…- Há quanto tempo a não via! E que saudades, Deus meu!”, recitou o ator o poema da infância da senhorinha.
Recordações
Falabella disse que estava perto do hotel, em Lisboa, quando foi procurado por Idalina que lhe pediu um abraço.
“Sentou-se conosco, contou-nos sua sofrida vida e disse que tinha muita saudade de um poema Balada da Neve de Augusto Gil, que ouvia quando era menina”, disse o ator nas redes sociais. “É este o sal da terra sem dúvida alguma.”
Para Falabella, Idalina representa o que ele chama de “anjos na terra”. Encantado com a senhorinha, o ator presenteou-a com ingressos para assistir a peça “A mentira”, que fica em cartaz em Portugal até o próximo dia 19.
“A D. Idalina hoje vai-nos ver e eu entregarei pessoalmente a enxurrada de afeto que cruzou o oceano e que aquecerá seu coração do mesmo modo que aqueceu o meu. Detalhe: subindo a escada rolante, ela sorriu para nós e disse que estava tão feliz que ia ‘voar’.”.
Conheça o poema que emocionou os internautas, do escritor Augusto Gil, que viveu sempre na Cidade da Guarda. Antes de se despedir de Falabella, Idalina pediu que ele fosse até a cidade para ver a estátua do poeta.
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O poema:
Balada da Neve
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.
Assista:
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Agora o reencontro deles após a leitura do poema que viralizou:
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